Do plantio à colheita das culturas: a importância de ficar atento aos prazos

Não é segredo que para obter bons resultados na lavoura é preciso se atentar para todas as etapas que envolvem a cultura, desde o plantio até a colheita correta dos grãos.

O que significa que todo produtor deve se planejar para realizar a colheita. Afinal, quando se trata de grãos, é fundamental acompanhar o ponto de maturidade fisiológica bem como a umidade dos mesmos.

Nesse sentido, algumas práticas podem ser adotadas para evitar perdas e prejuízos.

Que tal conhecer quais são elas?

Confira a seguir!

Como é feito o planejamento de colheita de grãos?

Para obter sucesso no momento da colheita, o produtor deve integrá-la ao sistema de produção e planejar todas as fases, para que o grão colhido apresente bom padrão de qualidade.

Dessa forma, várias etapas estão inseridas nesse processo, como a implantação da cultura, o transporte, secagem e armazenamento dos grãos.

Assim, em um sistema de produção em que, por exemplo, o milho vai começar a ser colhido com o teor de umidade superior a 13%, alguns pontos decisivos devem ser destacados:

Além disso, para melhorar o rendimento, as áreas devem ser divididas com carreadores, a fim de facilitar a movimentação da colhedora e o escoamento da colheita pelas carretas ou caminhões.

Somado a isso, também devem ser considerados os seguintes itens:

Como saber o momento certo de colher grãos?

De modo geral, o momento ideal para realizar a colheita em culturas de produção de grãos se dá após o ponto de maturidade fisiológica, especialmente quando atinge o teor de umidade entre 13% e 15%.

Entretanto, a dessecação, principalmente em culturas de porte baixo, tem a operação facilitada e pode antecipar a colheita e contribuir para a redução de perdas na operação, quando realizada no momento correto.

Colheita do milho

A princípio, a colheita do milho pode ser iniciada quando o grão se encontra maturo fisiologicamente. Essa maturação é definida quando as sementes atingem a máxima matéria seca, que geralmente coincide com a máxima germinação e o máximo vigor na maioria das espécies.

No milho, o máximo acúmulo de matéria seca ocorre depois do ponto de máxima germinação e máximo vigor.

Com base nisso, uma lavoura de milho é considerada fisiologicamente matura quando as plantas estão totalmente secas, os grãos apresentam umidade na faixa de 30% a 35% e com a identificação da camada preta na região da extremidade anterior do grão.

Então, para acompanhar o processo de maturação, tem-se utilizado a linha do leite, uma camada externamente visível na face oposta ao gérmen, que limita a matriz sólida e a líquida do endosperma.

Assim, no decorrer do processo de maturação ela se desloca da região da coroa para a base do grão, de modo que, na maturidade fisiológica, o grão de milho não apresenta mais leite detectável em seu endosperma.

Contudo, o ideal é que a partir da maturação, os grãos fiquem armazenados no campo até atingirem o teor de umidade compatível com o modo de colheita, preferencialmente entre 13% e 15%, com o destino a ser dado ao produto e com os equipamentos de secagem disponíveis.

Em outras palavras, o momento ideal de colheita do milho, especialmente a mecanizada, deve permitir o menor período de espera possível da espiga no campo, porém deve garantir que a umidade esteja baixa o suficiente para permitir a operação de colheita e as demais práticas pós-colheita.

Colheita da soja

Em síntese, ao planejar a colheita da soja, o produtor rural deve levar em consideração o teor de umidade dos grãos de soja – o ideal é entre 13% e 15%.

Até porque quando a soja atinge a maturidade fisiológica, seu teor de umidade varia de 30% a 65%, o que inviabiliza a colheita mecânica.

Sendo que, a partir desse ponto, a soja que permanece “armazenada” no campo fica submetida a fatores desfavoráveis à sua qualidade (alta umidade relativa do ar, alta temperatura, orvalho, chuvas e infecção por fungos).

A questão é que a colheita da soja com grãos fora da umidade ideal pode ocasionar prejuízos elevados. Logo, quando o teor de umidade dos grãos de soja encontra-se inferior a 12,5%, os grãos se tornam duros e quebradiços.

Isso faz com que os grãos sejam facilmente danificáveis durante a colheita, especialmente se associados à intensificação da rotação do cilindro trilhador da colhedora.

Já os grãos de soja colhidos com teor de umidade superior a 15% estão sujeitos a danos mecânicos latentes. O alto teor de umidade requer que a rotação do cilindro seja aumentada, pois as dificuldades de debulha aumentam.

Contudo, ficar atento em relação ao teor de umidade dos grãos de soja é um fator extremamente importante para a colheita dessa cultura.

Quais são os tipos de colheita?

No geral, os tipos de colheita dividem-se basicamente em manual e mecanizada.

Colheita Manual

No Brasil, grande parte da colheita do milho (cerca de 40%), por exemplo, é realizada manualmente. Isso significa que o trabalhador recolhe espiga por espiga, tanto aquelas presas nas plantas quanto aquelas caídas pelo chão.

Esse trabalho manual de coleta das espigas contribui para reduzir as perdas nessa fase, que ocorrem na magnitude de 0,5 a 1%. No entanto, o grande inconveniente da colheita manual é que geralmente ela é realizada, tardiamente, uma vez que, na falta de estrutura de secagem, o produtor espera o milho secar naturalmente no campo, até atingir 13,5 a 14% de umidade.

Assim sendo, esse atraso gera consequências como a predisposição a infestação de pragas de grãos armazenados, criando assim, a necessidade de se adotar um controle preventivo de insetos, antes de armazenar os grãos.

Colheita mecanizada

Já a colheita mecanizada pode ser definida como uma operação de retirada dos produtos agrícolas do campo através do uso de máquinas colhedoras. Além disso, hoje ela representa uma economia de 30 a 50% de economia se comparada a manual.

Assim, quando o sistema de colheita adotado consiste no uso de colhedoras, em todas as etapas é chamado mecanizado. Por outro lado, se as máquinas realizam parcialmente essas etapas, usa-se o termo semimecanizado.

Como funciona a colheita mecanizada?

máquinas de colheita mecanizada dos grãos de soja e milho
Fonte: Senar

A colheita mecanizada possui um elevado desempenho operacional. Tanto é, que no caso de colheita direta, o método mais empregado em nossa agricultura, a partir de uma única operação são realizados o corte e a trilha do material.

Em síntese, essa tecnologia está bem adaptada à maioria das culturas produtoras de grãos. Sendo que, na colheita mecânica, o corte e a trilha são realizados por máquinas.

No entanto, para diminuir as perdas pela colheita mecanizada, é necessário regular a colhedora. Em geral, são realizadas regulagens na plataforma de corte, elevador dianteiro, cilindro, côncavo, cilindro batedor traseiro, saca-palha, bandejas, peneiras, ventiladores e no mecanismo transportador.

A operação de colheita sofre influência de inúmeros fatores, que podem afetar nos resultados. Conheça os mais relevantes:

Umidade de grãos

É fato, que a umidade é um dos principais fatores que influenciam na operação de trilha, uma vez que cada cultura apresenta uma faixa de umidade para que a operação seja feita de forma ideal.

Assim, grãos submetidos a trilhagem com umidade muito elevada podem ser danificados, pois a sua resistência mecânica é baixa. Por outro lado, grãos demasiadamente secos podem ser partidos pelos mecanismos trilhadores, por terem pouca elasticidade.

Habilidade do operador

A colheita mecanizada é realizada por máquinas complexas, que realizam várias operações simultaneamente, por isso, a importância de ter bons operadores para desempenhar essa tarefa.

O ideal é que esses profissionais permaneçam atentos às mudanças nas condições da cultura e a possíveis falhas nos mecanismos. Também, vale lembrar, que, em muitos casos, são eles os responsáveis pela manutenção e regulagens quando a máquina está parada.

Uniformidade da lavoura

Se basearmos no fato de que na colheita mecanizada todos os grãos são colhidos, ou seja, não há seletividade, há a necessidade que a cultura seja homogênea quanto à maturação dos grãos, ao porte das plantas, à porcentagem de desfolha e à declividade do terreno.

Caso contrário, a eficiência da operação de colhimento será prejudicada, tanto quantitativamente, quanto qualitativamente.

Quais fatores podem gerar perdas na colheita de grãos?

Em síntese, vários fatores podem provocar perdas na colheita de grãos. Confira alguns deles:

Além desses, podemos elencar mais 4 tipos de perdas:

Pré-colheita

Em resumo, esse tipo de perda ocorre no campo sem nenhuma intervenção da máquina de colheita e deve ser avaliada antes de iniciar a colheita mecânica.

Essa avaliação, tem como objetivo de saber se uma cultivar apresenta ou não problemas de quebramento excessivo de colmo, se é adaptada ou não para colheita mecânica.

Plataforma

A princípio, podem ter sua origem na regulagem da máquina de colheita, sendo que, geralmente estão relacionadas com: a adaptabilidade da cultivar à colhedora, número de linhas das semeadoras e parâmetros inerentes à máquina de colheita (velocidade de deslocamento, altura da plataforma, regulagem das chapas de bloqueio e regulagem do espaçamento entre bocas).

Grãos soltos

No caso do milho, por exemplo, as perdas de grãos soltos (rolo espigador e de separação) e de grãos no sabugo estão relacionadas com a regulagem da máquina.

Isso porque, o rolo espigador, geralmente no final da linha, recebe um fluxo menor de plantas e, com isso, debulha um pouco a espiga, ou então a chapa de bloqueio está um pouco aberta e/ou com espigas menores que o padrão, entrando em contato com o rolo espigador.

Sendo assim, as perdas por separação são ocasionadas quando ocorre sobrecarga na saca palha, peneiras superior ou inferior um pouco fechadas, ventilador com rotação excessiva, sujeira nas peneiras.

Bom, é isso! Viu como é importante se planejar para realizar a colheita correta e evitar danos e perdas na lavoura?

Aproveite e leia também nosso artigo sobre lavoura de grãos e saiba como manter a produtividade das suas culturas.

Até a próxima!

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