Plantação de feijão: conheça as melhores práticas

O feijão é considerado um dos alimentos mais consumidos na dieta do brasileiro. Isso porque, além de ser rico em proteína, possui carboidratos, vitaminas, minerais, fibras e compostos com ação antioxidante.

Diante disso, podemos afirmar que ele é setor rentável para agricultores que querem obter lucro com esse tipo de cultura.

No entanto, para obter alta produtividade na lavoura é necessário se planejar. Para isso, é preciso considerar alguns fatores essenciais no momento da implantação dessa cultura.

Continue a leitura e conheça a principais práticas utilizadas na plantação de feijão.

Veja a seguir!

Qual melhor época para plantio de feijão?

De modo geral, podemos afirmar que a melhor época de plantio para o feijão é determinada por suas exigências climáticas. No entanto, por ser uma cultura de ciclo curto (cerca de 90 dias), o feijão pode ser cultivado por até quatro safras em um ano.

Sendo assim, a mais indicada é aquela que possui maior probabilidade de oferecer boa produtividade, isto é, a que melhor atende às exigências da cultura.

Veja as épocas de semeaduras recomendas para diferentes regiões do Brasil!

épocas de plantio de feijão no Brasil
Fonte: Proedu

Quais os fatores você deve considerar antes de realizar sua plantação de feijão?

Em primeiro lugar, é preciso considerar que fatores como temperatura, água, luz e o solo podem afetar os resultados da cultura de feijão.

Em síntese, a plantação de feijão é exigente em relação as condições edafoclimáticas. Confira a seguir:

Temperatura

A cultura de feijão é sensível a altas e baixas temperaturas, sendo que a ideal fica entre 18 e 24°C e a temperatura ideal 21°C. Isso porque médias acima de 30°C e abaixo de 12°C podem causar abortamento de flores, vagens e grãos.

Além disso, na fase de germinação, as temperaturas baixas podem atrasar a emergência e prejudicar o desenvolvimento das plantas.

Radiação solar

O recomendado é manejar a cultura para que as plantas consigam interceptar a maior quantidade de radiação solar possível, especialmente antes do florescimento, a fim de que seja acumulada uma quantidade adequada de biomassa.

Precipitação pluvial

A cultura do feijoeiro submetida a estresse hídrico (falta de água) apresenta redução na área foliar. Essa falta de água no período de floração pode diminuir a estatura da planta, o número e o tamanho das vagens, bem como o número de grãos por vagem, afetando muito o rendimento da cultura.

No entanto, o uso de irrigação pode minimizar o estresse hídrico, embora não seja uma tecnologia acessível a todos os produtores. Por outro lado, o excesso de chuvas também pode causar prejuízos à cultura, principalmente na época da colheita, impedindo que o feijão seja colhido, o que aumenta a probabilidade de brotação e o surgimento de manchas nos grãos.

De modo geral, a cultura do feijão alcança bons resultados quando as precipitações situam-se entre 300 e 400 mm, bem distribuídos durante o ciclo da cultura.

Solo

Em resumo, o feijão pode ser cultivado tanto em várzeas quanto em terras altas, desde que em locais com solos soltos, friáveis e não sujeitos a encharcamento.

Para isso, as várzeas e baixadas úmidas devem ser utilizadas nos períodos menos chuvosos, a fim de aproveitar sua topografia e capacidade de armazenamento de água, uma vez que os solos encharcados não são suportados pelo feijoeiro e prejudicam a germinação, limitando o desenvolvimento das raízes e favorecendo a ocorrência de doenças.

Como preparar o solo para a plantação de feijão?

Por ser uma espécie com o ciclo curto, a cultura de feijão pode ser cultivada em diferentes épocas. Este fato proporciona o cultivo de mais de uma safra por ano, na mesma área, principalmente na agricultura irrigada.

Diante disso, o solo é intensivamente utilizado, o que consiste em maior risco de degradação, quando comparado com o cultivo de sequeiro (cultivo sem utilização de irrigação – época chuvosa) de outras culturas com apenas um cultivo anual.

Sendo assim, é importante ter muita atenção em relação ao preparo do solo para o cultivo de feijão. Ele pode ser semeado por sistema convencional ou no sistema de plantio direto.

Vale ressaltar que no sistema convencional de semeadura, a aração e a gradagem devem ser realizadas seguindo as práticas de manejo e conservação do solo, isto é, de acordo com as condições de topografia do terreno e as propriedades físicas do solo.

Entretanto, devido o risco de degradação, por conta do uso intenso do solo, os produtores têm optado pelo sistema de plantio direto, devido a seus efeitos benéficos sobre os atributos físicos, químicos e biológicos do solo.

Contudo, no plantio direto, a semente e o adubo são colocados em um solo não trabalhado por meio de implementos agrícolas, com a substituição do controle mecânico e manual de plantas daninhas pelo controle químico. Assim, o revolvimento do solo ocorre apenas no sulco de semeadura.

Qual o espaçamento, densidade e profundidade do plantio de feijão?

Para obter sucesso nos resultados da cultura de feijão, é importante saber o espaçamento, densidade e profundidade devem ser utilizados no momento do plantio.

Espaço e densidade de plantio

No geral, o espaçamento recomendado é de 40 a 50 cm entre linhas de plantio e densidade de 10 a 15 sementes por metro. Dessa forma, ao utilizar essa prática, espera-se obter uma população entre 200 e 375 mil plantas por hectare.

Em alguns casos, como em áreas infestadas com mofo-branco, doença que tem causado grandes prejuízos aos produtores, tem-se utilizado espaçamentos maiores. Nesse caso, o indicado é utilizar espaçamento entre linhas de plantio de 50 a 60 cm e menor densidade de plantio. O objetivo é promover maior circulação de ar entre as plantas e auxiliar no controle da doença.

Profundidade

Na prática, em solos argilosos ou úmidos, recomenda-se realizar a semeadura com 3 a 4 cm de profundidade e em solos arenosos, com 5 a 6 cm. Isso porque a semeadura em maior profundidade contribui para o atraso da emergência das plântulas, além de deixá-las mais expostas ao ataque de doenças e causar danos aos cotilédones.

Já em relação ao adubo, este deve ser distribuído ao lado ou abaixo das sementes (3 - 5 cm) para prevenir danos às plântulas e consequente redução no estande (população de plantas).

Como é realizada a colheita e armazenamento?

A colheita pode ser manual, semimecanizado e mecanizado. Sendo que, no sistema manual, todas as operações da colheita, como o arranquio, o recolhimento, a trilha, a abanação (separação dos grãos misturados à palha) e a limpeza (separação de pedras e torrões) são realizadas manualmente.

Esse sistema realiza o arranquio das plantas inteiras, a partir da maturação fisiológica, fase caracterizada pelas folhas amarelas, vagens completamente cheias, vagens mais velhas secas e grãos com a coloração definitiva.

Dessa forma, as plantas arrancadas permanecem no campo, dispostas em molhos, com as raízes para cim. Isso tudo para completar o processo de secagem, até que os grãos atinjam teor de umidade próximo a 16%.

Logo após, as plantas são dispostas em terreiros, em camadas de 30 a 50 cm, onde se processa a batedura com varas flexíveis ou com rodas de trator.

Por fim, realizam-se a abanação e a limpeza dos grãos (beneficiamento).

Semimecanizado e mecanizado

Semimecanizado: algumas das etapas são realizadas mecanicamente. Geralmente, as plantas são arrancadas e enleiradas (dispostas em leiras) manualmente, e a trilha é realizada com o auxílio de uma máquina.

Mecanizado: todas as operações são realizadas com máquinas. Nesse caso, a colheita pode ser realizada por dois processos (direto e indireto). Sendo que, no direto, são empregadas colhedoras automotrizes, que realizam simultaneamente o corte, o recolhimento, a trilha, a abanação e, em determinadas situações, o ensacamento dos grãos. Já no indireto é utilizada a ceifadora-enleiradora (que corta e enleira as plantas no campo) e a recolhedora-trilhadora (que recolhe e trilha), em operações distintas.

Armazenamento

Em geral, o feijão pode ser armazenado a granel, em sacaria e em silos especialmente construídos para esse fim. Nos casos em que o armazenamento destina-se a curtos períodos, o teor de umidade deve ser de 15% para garantir a boa qualidade do produto. Entretanto, caso haja necessidade de estocagem mais prolongada, recomenda-se reduzir a umidade para 12%.

Como funciona o ciclo de desenvolvimento do feijão?

O ciclo de desenvolvimento da cultura de feijão é dividida na fase vegetativa e reprodutiva.

Vegetativa

Germinação: semente em condições favoráveis de germinar.

Emergência: cotilédones de 50% das plantas aparecem ao nível do solo.

Folhas primárias: folhas primárias de 50% das plantas estão totalmente abertas.

Primeira trifoliolada: primeira trifoliolada de 50% das plantas estão totalmente abertas.

Terceira trifoliolada: terceira trifoliolada de 50% das plantas estão totalmente abertas.

Reprodutiva

Pré-floração: aparecem os primeiros botões ou racemos em 50% das plantas.

Floração: abre-se a primeira flor em 50% das plantas.

Formação de vagens: aparece pelo menos uma vagem em 50% das plantas.

Enchimento de vagens: formação de sementes na primeira vagem em 50% das plantas.

Maturação: mudança de cor, em pelo menos, uma vagem em 50% das plantas.

Enfim, conseguiu tirar suas dúvidas sobre o plantio de feijão? Aproveite e leia nosso artigo sobre plantação de soja.

Até a próxima!

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